Referência: Lucas 15.8-9 (E disse: Um certo homem tinha dois filhos;
E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.
E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!) — Ambiente: Jesus estava
voltando do outro lado do Jordão à Galileia dos gentios, quando foi literalmente
interpelado pelos publicanos e pecadores. Desta vez, não lhes interessavam os
milagres, mas sim, ouvir diligentemente a sua mensagem transformadora. O que,
como de costume, provocou um ódio febril nos religiosos fariseus, escribas e
saduceus, os quais acusaram a Jesus: “este recebe pecadores, e come com eles”
(Lc 15.2). O Messias abre o tesouro do seu coração, e expõe a parábola mais
cativante e emocionante do seu ministério! Essa parábola das perdas, em verdade
é uma só. Jesus explica, na sua trilogia, as questões de uma ovelha
perdida no campo; a emoção de uma moeda (semedi) de prata da
grinalda da noiva perdida em sua casa; e a profunda dor de um filho
perdido da sua nobre família! O mais profundo cerne do amor de Deus ficou
explicitado nas palavras de Jesus, não importando o número ou virtude daqueles
que haveriam de ouvi-la. Nela, como não podia ser diferente, se encontra
enclaustrada os três tipos proporcionais de perdas: uma ovelha,
1% de perda; uma moeda, 10% de perda; um filho,
50% de perda! Jesus olha para aqueles pecadores, párias e rejeitados pelo
sofisma religioso da nação e o capricho dos seus líderes, e sussurra aos seus
ouvidos a Parábola das Três Perdas — da Ovelha, da Moeda e do
Filho!
Explicação: Nesta série de três parábolas, Jesus
continua sua tangível lição, desta feita, passando do estágio profundo da
moeda de prata perdida — um emblema usado na grinalda da
desposada, e prosseguindo para a perda do filho desventurado do
seu Pai. Nessa renomada parábola do filho pródigo, a ênfase, infelizmente é dada
mais ao filho, do que ao Pai, o qual foi mencionado doze vezes nessa história.
Cristo Jesus continua revelando a atitude amorosa do Pai, a qual prevalece por
ter sido ele, o Pai, que foi em busca do filho. Este, em verdade, em todos os
momentos demostrou um carácter egoísta, ingrato e irreverente, pois sabia ele,
que a sua herança legalmente viria as suas mãos a qualquer momento. O
procedimento incauto e prematuro do filho foi semelhante a da própria nação de
Israel que, apesar de ter tudo, nunca reconheceu o coração do seu Deus — “Mas
deixaram-se levar à cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão. E ele lhes
cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza às suas almas.” (Sl 106.14-15)! O
Pai tinha dois filhos, ambos criados por ele, e para ele! O primeiro,
o qual administrava os bens do seu Pai, era um jovem austero, reservado, educado
e calculista. O segundo, entretanto, e o que entra em evidência
na parábola, era um jovem volátil, impaciente, inconstante, volúvel e sem muita
educação escolar! O primeiro é o tipo do fariseu, saduceu, rabino, mestre e
escriba — os israelitas. Este, como membro de uma elite, só
conhecia o pai na formalidade do jantar ou na das reuniões de negócios! O
segundo, o pródigo, o extraviador, representa os publicanos, os pecadores e cada
um de nós em nosso estado anterior de pecado — os gentios. Este
estava disposto a pagar qualquer preço para venturar-se a comer qualquer coisa,
inclusive, os restos que sobrasse da elite — “mas também os cachorrinhos
comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.” (Mt 15:27). Ele
sabia o que era fome e abandono! Não há água que descendente a sede; e não há
alimento que sacie a fome quando alguém estiver num longínquo e escaldante
deserto! Assim, é o mundo dominado pelo cruel tentador; pois o ladrão veio para
matar, roubar e destruir! Bem fraseou nosso amado Jesus, quando redarguiu o rico
na sua parábola das ambições da vida, quando esse afirmava: “Alma, tens em
depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga” (Lc
12.19)! O grande equívoco histórico e milenar, chega ao seu clímax absurdo: a
alma não descansa nos prazeres funestos deste mundo; a alma do
homem não se alimenta das matérias orgânicas e vegetativas
deste mundo; a alma não se alegra nos melhores entretenimentos
dessa sociedade!
Interpretação: Oh Israel — “Ah! se tu conhecesses
também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está
encoberto aos teus olhos.” (Lc 19.2). Herdeiros das alianças e promessas,
tratados como filhos, donos de toda a pujante promessa do Pai: “Que são
israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei,
e o culto, e as promessas;” (Rm 9.4). Por causa desta insistente desventura,
o Reino dos Céus, o Milênio, que deveria ter sido inaugurado alguns anos depois
da ascensão de Cristo, tendo como súditos os israelitas — o primeiro
filho foi prorrogado sem ninguém saber até quando. Em contra partida, e graças
ao amor e misericórdia do dono de todos os seres por ele criados, o Reino de
Deus — o domínio mundial da graça através da Eclésia, foi antecipado tendo como
congregados os gentios — o segundo filho, a ocupar o lugar de
primeiro! Ao som das trombetas, dos tamborins e dos estilos dançantes, a grande
festa inicia-se com tremenda gala — a Festa do Cordeiro, o Milênio, o Reino dos
Céus. E, o primeiro, que na sua sorte alcançou o lugar de segundo, adentrou a
festa, mesmo aos empurrões! Mas como o extraviador, o irresponsável é recebido
com um caloroso abraço do pai; tendo as suas sandálias e vestimentas trocadas, e
no seu dedo o símbolo da realeza da família? A resposta é inequivocamente única
e divina: “mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;” (Rm
5.20)! O arrependimento é a força que move o coração do Pai ao perdão! O
filho mais novo que recebeu a graça mediante da rejeição do
filho mais velho, estava desejoso de sair da tutela do Pai; o felino
orgulho o consumia por dentro e por fora; o pecado e o mundo eram diametralmente
opostos à santidade do Pai; seu estado pecaminoso o fez desperdiçar tudo que do
pai tinha logrado; a angústia e o desejo incontrolável de ter mais, e cobiçar
mais, era um constante pesadelo em sua vida de vagabundo; finalmente, o pecado o
fez desolado numa vida de pedinte e escravo das menores necessidades no seu
mundo — “E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou
para os seus campos, a apascentar porcos.” (Lc 15.15). Mas a sua já
calcinada memória o trouxe aos seus prósperos dias na sua casa, e arrependendo-se,
lembrou: “Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui
pereço de fome!” (Lc 15.17). O Pai que tanto o buscava, finalmente o
vislumbrou, esguio e subindo a interminável florida estrada, que culminaria no
alpendre da casa do Pai — “Porque este meu filho estava morto, e reviveu,
tinha-se perdido, e foi achado.” Lc 15.24!
Pai é um substantivo proveniente do latim patre que quer dizer: autor, criador, protetor, progênitor, gerador ou genitor. Biologicamente, ele é o que provê e tráz proteção para a sua família, que é composta de uma mulher e um ou mais filhos. Ele também faz parte do primeiro gráu de parentesco de uma linha ascendente. As Sagradas Escrituras fazem alusão a paternidade Divina descrevendo seis tipos de filiação: Filhos por criação, refere-se a todo o ser humano e seres angelicais criados por Deus (Jó 2.1; 38.7; 1Tm 4.4; Hb 4.13); Filhos por adoção, refere-se a todo o salvo que foi comprado pelo sangue de Jesus e recebeu a adoção de filho da parte de Deus (Jo 1.12,13; Gl 4.5 Ef 1.5); Filho por geração, fala de Jesus, o filho unigênito de Deus, o qual pela virtude do Espírito Santo encarnou-se e veio ao mundo como Filho do Homem (Sl 2.7, Jo 3.16; Lc 1.35); Filhos por eleição, fala de Israel como povo eleito de Deus (Sl 33.12; Zc 2.8); Filhos por formação, compõe-se de Adão e todos os seus descendentes; Filhos por glorificação, ou seja todo o crente que termina a sua carreira em vitória, e seu corpo corruptível se revistirá de incorruptibilidade (Lc 20.36; 1 Jo 3.2; 2 Tm 4.7). No entanto, a mãe é a progênitora ou seja a agente usado por Deus para gerar uma vida no seio de seu próprio útero, através do processo de fecundação. Biblicamente, o varão como uma varoa que estivessem despojados, só podiam ter o privilégio de tornarem-se pais, depois do matrimônio; por isso, quando José, o noivo de Maria se apercebera que sua noiva estava grávida, quis ausentar-se secretamente, não entendendo que o rebento no ventre dela fora gerado pelo Espirito Santo (Mt 1.18-25). Portanto, um dos principais objetivos do casamento, é de procriar, como Deus houvera ordenado a Adão e a Eva (Gn 2.24). A bíblia menciona a Abrãao, como pai de muitas nações e como o pai da fé (Gn 17.4, Hb 11.13). Atualmente, por causa da ausência de valores morais na sociedade, é muito comum encontrar-se casos de mães que desempenham um papel duplo, ou seja de pai e de mãe simultâneamente. Existem raras exceções de pais que desempenham este mesmo duplo papel. O pentateuco faz várias observações ao povo de Israel, lembrando aos pais a não deixarem de ser responsável pela educação espiritual, como sacerdotes no lar, pela criação de seus filhos, assim como no sustento de sua família (Dt 6.6-7, Ef 6.4). Portanto, por volta do século XIX, devido ao poder econômico masculino no lar, a posição paternal de autoridade se manteve até ao século XX. Nesta altura, o cenário familiar mudou drasticamente, especialmente no mundo mordeno capitalista, onde muitas mães começaram a assumir parte do domínio financeiro do lar. Infelizmente, por multiplicar-se a iniquidade, a mesma realidade vivenciada em Sodoma e Gomorra (Gn 19), se faz verídica nos dias de hoje. A nível mundial, já se encontram famílias compostas por duas mães ou por dois pais; ou seja relacionamentos homosexuais; o que a bíblia condena. Deus criou macho e fêmea (Gn 1.27, Lv 18.22). Durante a Dispensação da Lei, Deus era bem taxativo em permitir que todo filho rebelde poderia ser morto por apedrejamento, se ele não respeitasse a seus pais (Dt 21.18-21). Por isso, o pai e a mãe devem ser respeitados, como o apóstolo Paulo recomenda a igreja de Éfeso, dando ênfase ao que já fora mencionado no decálogo: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa (Ex 20.12, Ef 6.1-2). É importante realçar que até mesmo nos dias de hoje, todos os anos, a nível mundial é comemorado o dia dos pais e das mães. Este ato começou na América do Norte, no princípio do século XX. Em suma, todo pai de família que quiser ser próspero, deve temer ao Senhor e andar nos seus caminhos. Parafraseando: Se assim o fizer, ele sera bem-aventurado. Pois comerá do trabalho das suas mãos, feliz será e lhe irá bem. A sua mulher será como a videira frutífera aos lados de sua casa, e os seus filhos, como plantas de oliveira, a roda da sua mesa (Sl 128.1-3).